Ditaduras da Natureza

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COTAS PARA INGRESSO NO ÓVULO

Os cientistas estavam perplexos com o aumento de casos de esterilidade no país. A população envelhecia rapidamente e começava a se parecer com a da Suécia, o governo já pensava em programas de importação de amantes – que se chamaria Mais Amantes, certamente.

Não sabiam os homens que no mundo microscópico, já faz algum tempo, os espermatozoides se rebelam contra a ditadura da natureza e lutam por uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos tenham os mesmos direitos de fecundar o óvulo. A natureza é injusta. E diz um ditado espermatozoico: “Os espermatozoides são o sujeito da história”. Sim, sem eles, não haveria a história.

Atualmente, há um movimento mais radical de espermatozoides pretendendo implementar sistema de cotização que acabe de vez com o elitismo da fecundação, essa coisa estúpida e opressora de dar uma vaga apenas para um milhão de concorrentes.

Tem cara de mãe boazinha, não parece, mas a natureza é plasmada por um neoliberalismo implacável.

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A INCLUSÃO SOCIAL FEITA NA MARRA

Como já disse, os cientistas hoje trabalham com uma hipótese um tanto bizarra para explicar o crescente número de casais estéreis, no país: o dissídio coletivo dos espermatozoides. A ideologia marxista impregnou-se tão profundamente na sociedade, que chegou ao mundo microscópico e agora interfere no trabalho de fecundação do óvulo.

Depois de assumirem que sem política não se faz nada no mundo, espermatozoides montaram governos eleitos democraticamente. Uma das primeiras medidas do presidente foi criar o programa Bolsa-Óvulo, que é responsável pela inclusão de mais de 36 milhões de indivíduos.

Outrora, a natureza determinava que somente um único espermatozoide poderia adentrar o óculo, mas o Ministério da Desconstrução estendeu o direito a quase 40 milhões. Um avanço incrível, temos que reconhecer.

Mas, até agora nada. Mesmo com o empurrãozinho financeiro do governo, parece que os espermatozoides beneficiados com a bolsa não possuem força suficiente para perfurar a parede do óvulo.

 

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A ESQUIZOFRENIA DO MUNDO QUÂNTICO

A ciência acreditava piamente que o átomo fosse a menor partícula da matéria, até se descobrirem as chamadas partículas “subatômicas”. Elas habitam um lugar onde as leis da física não têm vez: não adianta questionar ali se a luz é feita de onda ou partícula, pois ela é as duas coisas ao mesmo tempo, e não se fala mais nisso.

Analistas financeiros projetam que o PIB do Brasil ingressará em tal dimensão, coisa de uns dez anos. Enquanto a inflação alcançará as dimensões dos astros, e aí teremos que calculá-la usando potentes telescópios. Já o PIB atrofia e caminha até este mundo quântico infinitamente pequeno, e não pode ser visto a olho nu, é claro.

Uma terrível imposição da natureza. A sociedade já se articula para pacificar e controlar esse mundo caótico, a bagunça dessa casa da mãe Joana em que ninguém repara. Lembra a sala de um homem solteiro ou separado: sacos de batata frita e amendoim vazios, cueca e meia sujas, latas de cerveja e guimbas de cigarro voando a esmo, em colisão, sem um padrão estabelecido.

O mundo quântico precisa de um marco regulatório. O governo investirá forte em recursos, no setor de tecnologia de ponta. As partículas subatômicas terão que se cadastrar no programa.

E no campo que fala de gênero, será incluído o item “indefinido”.

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PTERODÁTILO, SIM. E DAÍ?

Com a lei da homofobia, os estabelecimentos comerciais devem estar confusos para saber como farão com os banheiros. Sim, com a consolidação da ideologia de gênero, o (a) sujeito (a) tem o direito de se declarar conforme os ditames do seu Eu – esse emaranhado de discursos e tentativas de identidade.

Não é fácil construir oito tipos de banheiro da noite para o dia, sempre foram dois e já davam muito trabalho na manutenção. Na prática, e com ajuda da recessão econômica, os gêneros terão que compartilhar espaço com a dupla clássica de toaletes, e aí não me perguntem como vai ser.

O cliente entra no restaurante, busca o banheiro, chama a gerência e reclama de discriminação na nova placa onde constam as novas regras de gênero.

– Eu sou pterodátilo. Cadê a placa prevendo o mesmo direito para um pterodátilo? Hein?

– Mas, o senhor é homem. Quer dizer… Humano.

– Eu me sinto um pterodátilo, isso é o que importa. Quem é pterodátilo já nasce assim e pronto. Você não sabe o que é o desejo de sobrevoar uma selva fechada para caçar filhotes de mastodonte. Não sabe.

O advogado do restaurante aconselhou o gerente a colar uma imagem de pterodátilo ao lado das duas portas do banheiro. É isso, ou um processo por pterodatilofobia.