LUNÁTICO

surreal7

Acordou certa manhã, olhou pela janela e viu que o mundo tinha-se acabado. Sempre achou que o fim do mundo seria a coisa mais barulhenta do mundo. E não foi. Tinha o sono pesado, isso também ajudou. Tudo aconteceu mui suavemente. Desceram os anjos, de madrugada, deslizando no veludo alvo da luz da lua. E invadiram os sonhos de um povo que dormia.

Ele acordou por último, saiu de casa e encontrou as ruas vazias. No céu, o escuro estacionou e não nasceu o dia. Nos prédios abandonados habitavam agora aves carnívoras. Moradores haviam partido, ninguém ficou, a não ser ele. E teve a ideia de ir à praia. Ele foi à praia. E viu que a lua tinha pousado no mar. Os terríveis habitantes da cidade correram pra ela como crianças aos braços da mãe.

Mas, ele ficou por último. E agora caminhará sobre as águas e subirá os degraus de marfim da lua. Pousará no seu branco delicado, onde astronauta nenhum pôs os pés – foi tudo mentira, homem nenhum nunca pisou na lua.

Ele faz questão de ir para o lado escuro da lua, o lar dos loucos insones. O mundo acabou, e agora ninguém mais precisa dormir.

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