Dólar a R$ 5,00

surrealbarcocaindo

Vertigem. Aquela vertigem, um frio na barriga que você sentia quando o carro do seu pai disparava num vão da estrada, e o carro voava alguns milímetros do chão, e parecia que sua alma se despregava do corpo por alguns segundos. Só que é esse frio multiplicado, uma sensação de que você não está mais num carro, mas num barco, e quem o dirige não é mais o seu pai.  O barco vai despencar da cachoeira. Vai sacodir um pouco.

Janelas se abrem de prédios que brotam da água, e delas surgem olhos de almas que passam a vida espiando esses barcos que despencam na cachoeira. Ninguém reage. A população toda enlouqueceu, jogaram alguma coisa na água, na caixa d’água da cidade e todo mundo enlouqueceu.

O próprio Marx certa vez disse que viu um espectro rondando a Europa. Cruz, credo. Esse fantasma existe até hoje. Esse monstro não tem dó de criatura nenhuma e engole tudo o que tem cor e sabor e textura e som e vida e alegria. Essa quimera é um buraco negro de que ninguém escapa, não importa o que fizermos, será tudo em vão, o sol se apaga em cinco bilhões de anos, não consigo mais dormir à noite. O escuro da noite também fugiu, o claro do dia, restou apenas uma nuance do invisível.

Penso no dólar a cinco reais no fim do ano. E começo a sentir essa vertigem. Sabe como é…?

 

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